domingo, 15 de novembro de 2009

Juíz proíbe crianças e adolescentes de participarem da Parada Gay de Caxias

Acabei de ler uma notícia no Portal G1 que me deixou incomodada. Neste domingo vai acontecer a Parada Gay de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e o juíz Aílton Augusto dos Santos, da Vara da Infância, da Juventude e do Idoso da cidade, proibiu a presença de crianças e adolescentes no evento, alegando que elas presenciariam cenas inadequadas para suas faixas etárias.


Vamos à perguntinha básica, o que tem de mais numa Parada Gay que crianças e adolescentes já não viram na TV ou na internet?



1) Dois homens se beijando?


2) Duas mulheres se beijando?


3) Homem vestido de mulher?


4) Mulher vestida de homem?


Certo, talvez na TV não tenham visto essas cenas, porque a heteronormatividade é predominante, principalmente quando estamos falando de canal aberto. E quando são representados nas novelas, os homossexuais geralmente são tratados com um tom irônico de preconceito, assim como qualquer minoria.

Mas pelo que eu saiba as crianças vêem cenas de violência, guerra, sangue e coisas piores nos desenhos tidos como infantis! Ver a realidade através de amor e carinho, essa sim, é imprópria, Caro Juiz?

É de ficar chocada mesmo com isso. E depois ainda tem pessoas que afirmam que o preconceito não existe mais, estamos numa sociedade liberal. Se liberdade de expressão é isso, então deveria ser alterada a nomenclatura para censura.

Todos os anos eu vou a Parada Gay da minha cidade, Feira de Santana, e se me perguntarem o que eu vejo na festa que crianças e adolescentes não podem ver eu realmente não sei responder.

O que eu sempre presencio é afeto, brincadeira, pessoas dançando, pulando, beijo, abraços, uma sensação incrível de liberdade e luta, afinal, todos sabemos que se um casal de homossexuais andar em praça pública se beijando ou tendo gestos de carinhos serão alvo certo de preconceito, ou até mesmo de violência, e a Parada Gay representa justamente o dia que todas essas barreiras são quebradas, não existe o “não pode”, quem vai pra festa sabe que vai ver beijos e afeto de semelhantes por lá.

E o mais preocupante é, será que não existem adolescentes militantes? É obvio que sim, e esses não vão poder participar justamente do dia principal de protesto gay. E claro, se o objetivo da passeata é fazer com que muitas pessoas se agrupem para protestar e boa parte dessa massa é de adolescentes vai ter um desfalque enorme na Parada, prejudicando os homossexuais que tem por direito protestar por uma causa como qualquer cidadão inconformado com injustiças.

E se não for respeitada a decisão do Juiz a pena vai para os organizadores do evento, que é um evento público. Alguém aí já viu uma pena cair sobre os organizadores de um evento que é público? Quer dizer, se uma criança ou adolescente decide quebrar as regras quem pode sofrer uma sanção administrativa ou penal são as pessoas que organizam a Parada Gay. Certo, e como elas vão fiscalizar isso? Pagar milhares de seguranças para vigiar o evento? Isso não seria dever da polícia já que se trata de um espaço público? Complicada essa decisão viu, gera milhões de perguntas. E tudo isso, claro, para que o evento não aconteça.

Mas para quem tem a oportunidade de estar esse domingo, em Caxias, a concentração começa às 13h, na Avenida Brigadeiro e Lima e Silva, no bairro 25 de Agosto. E a meta é reunir em torno de 200 mil pessoas.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Resumão do República do Reggae 2009


Uma fila imensa de carros estava posicionada por horas no mesmo lugar com o único objetivo de serem guardados num local seguro nos arredores do Wet'n Wild em Salvador.

Eram quase nove e meia da noite, quando não encontramos espaço seguro e um menino desses que guardam os carros disse-nos para segui-lo.

- Enfim, uma vaga!

Em cima de um canteiro, carros e carros enfileirados. Cerca? Segurança? Nenhuma. O menino apenas cobrou dez reais e foi em busca de um novo cliente. Tínhamos que pagar, fazer o quê.

Uma multidão se dirigia à portaria principal. E nós já estávamos ouvindo a banda Mato Seco tocar. Era uma das bandas que tínhamos ouvido nos últimos meses com mais freqüência. E nunca presenciamos um show deles. E chegamos tarde demais para pegar todo o repertório.

Os ingressos estavam mais caros. Trinta e dois reais na mão dos cambistas, e para pegar por trinta havia uma fila gigantesca, não podíamos esperar mais tempo ou o show ia acabar.

Da entrada principal já dava para sentir o clima da festa. Homens e mulheres de dreads no cabelo. Saias compridas estilo indiana. Bijuterias tipo artesanal. Sandálias de couro e aquele aroma reggaeano.

Corremos para frente do palco. O vocalista tinha cabelo curto, estranhei. Sua roupa não era comum desse tipo de show, ele usava uma blusa branca por dentro do terno azul com a gola alta, sem dobrar. Todos da banda se vestiam mais ou menos da mesma forma. Mas o som era reggae raiz de primeira.

O público parecia não conhecer a banda de abertura. Algumas pessoas apenas observavam. Outras seguiam o ritmo do som, já “batizadas” com o verde da paz. E outros como meu namorado e eu prestávamos atenção e tentávamos acompanhar as letras de resistência.

Eu não sou religiosa. E o reggae fala muito de Jah. Que eu também não acredito, o que é engraçado, porque muitas vezes me pego perguntando por que faz sentindo ouvir esses tipos de músicas. Mas a questão é que o reggae tem esse símbolo forte em suas letras, mas também há uma expressão ligada ao sentimento de amor e o protesto latente contra o sistema. E é dessa segunda característica que faz curtir o som e me encantar com algumas letras e bandas.

Mato Seco, por exemplo, possui músicas belíssimas, com um ritmo arrastado, que te levam a reflexão plena. Ora fala sobre o estudante que protesta, ora fala da mãe que sobrevive sem comida na mesa. É bonito ver pessoas que pensam criticamente e não aceitam as injustiças que estão aí em nossa frente, e por ser um ritmo leve, sem muita distorção na guitarra, fica fácil compreender as letras no show e a mensagem que o artista deixa.


Logo depois de Mato Seco, entrou a banda norte-americana S.O.J.A, essa eu nunca tinha ouvido falar, mas o som parecia ser legal. Não fiquei lá na frente dessa vez, encontramos uns amigos e ficamos batendo papo e bebendo uns líquidos eufóricos. Eu estava mesmo ansiosa para ver a minha banda preferida do estilo, que se chama Ponto de Equilíbrio.

E como valeu a pena ter esperado, porque quando o vocalista Hélio Bentes e sua banda começou a tocar, aquela explosão de energia que só ele consegue transmitir quando canta começou a mexer comigo, e dessa hora em diante eu não consegui mais parar de cantar bem alto até minha voz sumir e a garganta ficar doendo no final.

Ponto de Equilíbrio é uma dessas bandas que da primeira vez que você escuta, você não gosta. O vocalista tem uma voz meio infantil, e você logo deixa passar. Mas depois que presta atenção na letra, não consegue mais parar de ouvir. E o melhor de tudo, o show é muito empolgante. Hélio Bentes parece cantar em transe o tempo inteiro. Ele pula, ele corre, ele se mexe euforicamente. É uma energia sem comparação. E eu adoro vocalistas assim.


E os efeitos que a banda colocou dessa vez, estavam muito legais. A voz tinha momentos em que ficava com um eco constante. Que por momentos, me deixava confusa, atordoada, mas não era um sentimento ruim, pelo contrario, era um sentimento forte, de amor, de paz, de luta. Onde você percebe que milhares de pessoas estão ali em prol de um bem maior, o da resistência. O que me faz admirar ainda mais o reggae como ele é.

Depois veio o tradicional reggae man baiano, Edson Gomes, que deixou a desejar, porque agora ele só faz colocar o filho para cantar, e depois quando ele entra, enrola e só canta cinco músicas. Sem falar que cada música que ele canta, demora uns dez minutos de enrolação, parece que não tem mais prazer em estar no palco. E outra, resmungou o tempo todo no microfone, para todo mundo ouvir, que ele estava insatisfeito com o som. Não é a primeira vez que vejo isso, ele anda tendo essas atitudes com muita freqüência, o que deixa os fãs extremamente chateados. Também, não é para menos.

O último a se apresentar foi o cantor jamaicano Gregory Isaacs, às cinco horas da manhã, com o sol raiando e o público fiel estava ali presente. Fique pasma.

Resumindo, o República do Reggae 2009 em Salvador, foi perfeito. O espaço está ficando pequeno, a cada ano que passa percebo novas tribos e um aumento na quantidade de público. Já é um dos maiores festivais do Brasil, representando um só estilo, o que é bonito de se ver. Daqui a alguns anos, vai ter de ser realizado no Parque de Exposições, local bem maior.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

A moda no corpo nu

A moda, tomada como fenômeno social, está presente desde quando nos vestimos com uma camisa básica azul e uma calça jeans cargo, até quando nos submergimos em nossa individualidade e nos despimos em frente ao espelho.

Para o senso comum, moda significa glamour ou aquilo que está em evidência, entretanto aprofundando mais essa experiência constata-se que moda vai muito além do sentido indumentário do termo. Moda pode expressar arte, cultura, classe social ou mesmo padrão estético.


Representa arte quando estilistas ou mesmo qualquer um produtor de moda, busca na arte inspiração para suas criações. Ele incute na roupa significados, mensagens e valores que o tecido por si só não traria. Um bom exemplo disso foi o desfile ocorrido em 2004, no São Paulo Fashion Week, onde o estilista Jum Nakao montou sua apresentação a partir de papel vegetal, ou seja, todas as modelos vestiam esse tipo de papel como forma de indumentária. Como bem argumentou Glória Kalil, o ato não se trava de um desfile de moda, mas era um dos significados de moda.
A moda também está inserida no contexto econômico quando une pelos trajes grupos sociais. É fácil perceber as classes sociais através da moda, afinal a alta costura por si só é um instrumento isolado das pessoas inseridas na elite econômica do país.

No centro, percebem-se as classes médias vestidas pelo estilo apontado nas passarelas, pois muito do que é criado vem da observação nas ruas, ou seja, a moda é uma recriação de criações já existentes.

E por fim, as camadas pobres se expressa através do que se vê na novela, na televisão. A individualidade é mais difícil de encontrar neste ponto principalmente pelo fator educação.

Dei alguns exemplos de como a moda por se expressar, mas a dúvida fundamental para algumas pessoas é, e o corpo nu, ele possui moda?

A meu ver sim. Quando uma mulher modela o seu corpo através de cirurgias plásticas, ela não só está modificando o natural como também está buscando por um padrão de beleza que a moda impõe. Um comportamento que quase já está naturalizado na sociedade é a implantação dos silicones nos seios. Hoje, não só as nádegas volumosas significam perfeição em uma mulher, é preciso que ela também tenha seios fartos, por isso é se faz necessário à cirurgia pra a obtenção deste modelo.

Veja que a moda é ciclo vicioso até porque ela é regida pela economia, e esta precisa estar em crescente desempenho. Por isso, um dia são as nádegas que precisam ser remodeladas, outro dia são os seios, o nariz, os lábios e o que mais não tiver de acordo com o padrão Barbie Nacional de beleza. E a inconformidade com o corpo produzida sistematicamente pelos meios publicitários e também informativos acaba por levar as mulheres a crêem que devem seguir a moda.

O corpo então, nu e puro, existe, mas em decadência. Um simples tatuagem já modifica aquele corpo então iniciante e o que se percebe é a transformação estética deste para uma inserção seja numa camada popular, num grupo social ou até mesmo num padrão de beleza estimado.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Besouro, o filme

Faz tempo que não ia ao cinema dia de domingo. E ontem foi dia de prestigiar o trabalho nacional com o filme Besouro.


Manuel Henrique, negro do Recôncavo Baiano, de Santo Amaro, conhecido como Besouro, viveu por volta de 1920 combatendo o preconceito contra os negros e sua cultura.

O filme conta uma pequena trajetória do que realmente foi o capoeirista, apostando no encanto dos efeitos especiais, afinal, diz à lenda que o rapaz era tão bom na capoeira que podia até voar.

Os efeitos são impressionantes, geralmente quando se trata de obra nacional, ficamos sempre com um pé atrás, mas em Besouro não há defeitos, a fotografia é de um gosto impressionante, pois enquadra muito bem as cenas e utiliza de um colorido estonteante.

Essas cores vibrantes provem de cenas que foram gravadas, na maior parte do longa, em conato com a natureza. É o verde das plantas, azul da água e o colorido das flores e entidades religiosas do Candomblé.

E essa parte religiosa marca muito, vem até como soco para muitas das pessoas que acham que o Candomblé é sinônimo de macumba.

No começo do filme Besouro se mostra descrente até ver a figura de Exú.



Exú é o orixá da comunicação, ele é a entidade que desafia, ele é o símbolo das grandes contradições. É o senhor dos caminhos, da virilidade, do sexo, dos sentidos, da força de viver. Tendo em vista essa descrição, prosseguindo a narrativa, Besouro é de certa forma desafiado por Exú. Este diz que o capoeirista tem que reverenciá-lo, mas Besouro não quer estar abaixo de ninguém, e por isso começa uma luta entre os dois, até que enfrentando o impossível de ser derrotado, Besouro é convencido, deixa o orgulho de lado e se ajoelha diante daquele que tem lhe guiado, mesmo sem ele saber.

E aí que entra o misticismo da trama. Depois dessa luta nunca mais Besouro é o mesmo. Ele é tomado por forças especiais que o fazem o grande herói da cena, pois é ele quem vai defender seu povo da escravidão que foi abolida, mas que ainda existe na Bahia.

Outro fato incrível que achei no filme foi a posição da mulher. Dinorá, uma negra capoeirista, está em contato o tempo todo com homens e nas rodas de luta. Em nenhum momento é tratada como inferior, mas na mesma posição que os lutadores. No entanto, não só ela como outras negras, quando estão na casa de seus senhores são serviçais exploradas sexualmente.

Há cenas em que os capangas falam de maneira preconceituosa associando negros a macacos. Infelizmente, um filme que retrata de maneira fiel como muitos brancos tratam os negros, foi motivo de risos pela platéia do cinema. Risos estes que vieram da associação. Provando o quanto ainda se tem uma grande batalha contra o racismo.

Mas Besouro se mostra como um filme que tinha tudo para ganhar um oscar! É um filme educativo, do ponto de vista da cultura negra, além de retratar como eram escravizados os seres humanos na década de 20.

Eu nunca tinha ouvido falar do capoeirista antes. E um amigo meu, capoeirista contou-me que Besouro realmente é um herói entre os capoeiristas de todo o Brasil, um símbolo. Até nas rodas existem músicas que lembram de sua presença de maneira a preservar uma história de vida importante para nossa cultura brasileira.


Vejam o trailer abaixo:


http://www.youtube.com/watch?v=9rJrUq2CB2g

domingo, 25 de outubro de 2009

Meu caro amigo Chico Buarque


Ir ao teatro é algo encantador quando a peça te proporciona revelações ou um encontro consigo mesmo.

Ontem eu fui assistir à peça “Meu caro amigo – Uma história embalada pelas canções de Chico Buarque”. Um monólogo interpretado pela atriz Kelzy Ecard.

A narrativa se concentra na vida da personagem Norma, que é apaixonada por Chico Buarque. Além da declaração de amor pelo cantor, a história revela acontecimentos da época da Ditadura Militar no Brasil. Ou seja, somos embalados pela belíssima voz da atriz e cantora e ainda temos uma nada cansativa aula de história recente.

Como sou novinha, e não passei pela época da censura à narrativa pra mim se torna algo inovador e alucinante.

A Norma, tinha um fã clube chamado de “Chiquetes”, elas se reuniam sempre para bolar o que fazer para divulgar as músicas do Chico Buarque e ter um acervo próprio com todos os discos, ou outros produtos produzidos pelo Chico, além de informações publicadas a respeito do artista. Só que quando o AI 5 foi instalado, elas não podiam mais se reunir, o pai de Norma sempre falava: “Vocês vão ser presas!”. Afinal, a liberdade era vigiada, qualquer grupinho visto nas ruas já era presumido como um principio de atividade de natureza política ou algo que fosse contra aos ideais dos militares.

E o engraçado também foi ver minha mãe rindo e se identificando com algumas passagens de seu tempo. A Norma, logo no começo, narra o dia em que os pais dela compraram uma televisão. Mas naquele tempo a imagem era preto e branco, e sintonizar o canal dava o maior trabalho, pois o pai dela tinha que ficar em cima do telhado para alguém assistir algum programa na sala. Em outro momento, ela falou sobre uma tela que era comprada nos camelôs. Essa tela tinha três tons de cores, era colocada em frente a tela da TV para dar a impressão de que a imagem era colorida, daí ficava o apresentador de um jornal, por exemplo, com a cabeça vermelha, o corpo verde, e o final da tela azul. Chorei de rir com isso. E minha quase gritando: “Eu tive uma dessas, eu lembro disso”.

Ás vezes eu fico imaginado como será eu mais velha, lembrando de coisas que eu fazia no passado. Assim, como a minha mãe, de muitas coisas que evoluíram. Claro que eu já consigo citar algumas: como a fita de música, vinil, vídeo cassete...Mas sei que mais pra frente as mudanças serão maiores ainda, e essa nostalgia me encanta tanto quanto me deixa triste, pois traz saudades.

Mas voltando a peça. É pela televisão também que a Norma conhece o Chico, por isso ela acredita em amor a primeira vista. Porque foi assim que começou o caso dela com o cantor. Eu gostei bastante o toque de humor que a atriz consegue adaptar sem ser algo forçado ao mesmo tempo em que se emociona quando retrata a convivência com o pai, já que eles não se davam bem ao ponto dela ter que sair de casa.

Uma das partes também que mais chamou a minha atenção foi um diálogo dela com o pai. Em que ela dizia que ele fingia não ver as coisas que ela fazia como ir dormir com o namorado em um acampamento. No entanto, teve um dia que ela não queria mais compartilhar esse fingimento e resolveu colocar todas as suas angústias para fora. Ela disse para ele que ia acampar com o Pedro (o namoradinho). O pai não falou nada. Ela se foi. Mas quando voltou viu suas coisas todas remexidas e perguntou ao pai porque ele fez aquilo, se ele estava procurando as pílulas contraceptivas dela. E com um toque feminista no ar (eu juro que quase gritei nessa hora), ela disse: “Eu transo com Pedro, já transei antes, e vou transar quantas vezes eu sentir necessidade”. O pai, ouvindo isso, deu um tapa no rosto dela, e eles não se falaram depois desse episódio durante 20 anos.

Na verdade, eu não consegui transcrever a peça como ela foi aqui, nem também pretendo fazer isso porque não tem graça. Destaquei apenas alguns pontos, para que você se tiver a oportunidade de assistir a essa peça, que não perca, pois é muito encantadora. O fio condutor de toda a narrativa é o Chico Buarque, desde a televisão quando ela o conhece, até o as brigas com o pai, motivadas também por causa do Chico, afinal, ele era um militante contra a ditadura e o pai da personagem era ditador caseiro.

Vale a pena conferir.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Projeto Lixo ou Luxo


http://www.youtube.com/watch?v=aM22pkFgiig         Assistam essa matéria produzida por mim apenas com a câmera digital. Vale a pena assistir, a matéria fala sobre o projeto Lixo ou Luxo da professora Izeti Costa, ela teve a idéia a partir de um ato preconceito de um aluno com uma outra aluna, de apenas 4 anos.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Memórias de uma tarde artística

Estou eu e minhas amigas numa praça. Conversando. Rindo.
Talvez, essa simples reunião não fosse possível há alguns anos atrás.

Por que?

Ora! As mulheres não tinham liberdade para conversar sem permissão do pai ou marido. Muito menos de sair. Agora mais incrível ainda é nós estarmos naquele ambiente e uma outra moça chegar vendendo sua arte sensual.

A pele em flor


Eis-me aqui ao seu dispor,
Nua, crua, íntegra...
Eis-me aqui com boca sedenta de beijos ardentes.
Com olhos ofuscantes,
Com a pele em flor.
Exalando um perfume que é só meu,
E seguindo vou em busca de ti
E sonhando vou em busca de mim.
Eis-me aqui em meu pranto
Em meu canto calada e só.
Com a certeza de uma incerteza
Com a verdade de uma ilusão,
Com a alma em vida,
Com a vida em utopias,
E assim continuar aqui em meu canto calada e só.


Hyl Lorraine Rangell



Lorraine é uma artista feirense que conheci na praça de alimentação da Getúlio Vargas, em Feira de Santana, vendendo pequenos livrinhos feitos com papel A4. São nove tipos de diferentes, cada um com suas experiências e sentimentos de vida. Ela contou-me que tentou publicar um livro reunindo todas as suas obras, mas tinha de desembolsar quatro mil reais para isso. Dinheiro este que ela não tem.

Fiquei triste, de ler poesias tão bonitas e criativas de uma artista que não tem apoio financeiro. Pensei em quantas pessoas devem existir não só aqui na minha cidade, como no Brasil inteiro produzindo arte e talvez, sendo esquecida por falta de apoio.

Hyl Lorraine é um exemplo de resistência, mesmo quando não conseguiu publicar os livros, passou a imprimir as poesias em papel comum e divulga-las pela cidade a fora por apenas um real. E o esforço de sua criatividade? E os gastos com o papel? Tempo.

O artista tem que ser valorizado. Eu fiquei fã de suas poesias. Pedi que ela recitasse para mim e as minhas amigas, e ela assim fez. Pausadamente. Loucamente perdida em suas palavras. Foi um momento único. Onde o artista externa sua obra e também seus sentimentos.

Eu e minhas amigas a ajudamos. Compramos alguns de seus livrinhos. E como estávamos brincando de pagar mico na praça, uma das prendas foi vender o livrinho para alguém, o que não é mico, mas uma forma de ajudar. E uma de nós, a Carol, conseguiu vender um. E de que forma?

Ela chegou na mesa, onde estava apenas um rapaz. E perguntou:

- Olá, você tem namorada?

O rapaz respondeu:

- Não

- Se você comprar este livrinho, pode conseguir uma recitando poesias de amor.



Achei lindo isso! Esse dia foi realmente incrível. Eu tinha que registrar. Afinal, todas essas atitudes só foram possíveis de serem realizadas hoje, por causa da luta feminista. E é esta que me comove todos os dias.